
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Faculdade de Educação da Baixada Fluminense
Disciplina: Tendências Atuais do Ensino de Língua Portuguesa I
Prof.Dr. Ivan Amaro
Aluno: Leon Ursus Camilo
FERREIRO, Emilia. Os problemas cognitivos envolvidos na construção da representação escrita da linguagem. IN: Alfabetização em processo. 18. ed, São Paulo, Cortez, 2007.
A princípio Ferreiro argumenta que a teoria de Piaget serviu como inspiração para sua pesquisa sobre leitura e escrita, além disso, diz também que a teoria de Piaget não pode ser reduzida a uma descrição de níveis sucessivos de organização, pois deste modo estaria se esquecendo da indagação principal que norteia a obra de Piaget, que é como se passa de um estado de menor conhecimento para um estado de maior conhecimento?
Para tanto faz-se necessário procurar identificar os modos de organização relativamente estáveis, que podem caracterizar os níveis sucessivos de conhecimento em um dado domínio. Entretanto, o problema central é compreender os processos de passagem de um modo de organização conceitual a outro, ou seja, analisar a construção do conhecimento.
Neste sentido a autora afirma que é necessário compreender a lógica interna dos modos de organização e as razões da substituição de um modo de organização por outro, ou seja, os processos de construção do conhecimento. Tendo em vista que há uma serie de modos de representação que precedem a representação alfabética da linguagem. Esses modos de representação pré- alfabéticos se sucedem em certa ordem: primeiro vários modos de representação alheios a qualquer busca de correspondência entre a pauta sonora de uma emissão e a escrita; depois, modos de representação silábicos (com ou sem valor sonoro convencional) e modos de representação silábico - alfabético que precedem regularmente a aparição da escrita regida pelos princípios alfabéticos. (p.10).
Ferreiro trabalha no texto, com a explicação detalhada de somente um dos muitos problemas cognitivos que pode ser identificado no desenvolvimento da leitura e da escrita: a relação entre o todo e as partes que o constituem.
A coordenação das partes com o todo começa a ser problemática a partir do momento em que se estabelece a hipótese da quantidade mínima, um exemplo disso é apresentado no texto quando a autora relata que, cada letra pode representar um objeto seis letras para um conjunto de seis maçãs, quatro letras para um conjunto de quatro tomates, ou seja, cada letra representa um objeto, no entanto, esta solução não é satisfatória, chega ser até mesmo contraditória a hipótese da quantidade mínima, pois quando se escreve o nome de um único objeto, uma só letra não é suficiente.
Quando as crianças utilizam três letras para escrever gato o plural se obtém repetindo duas ou três vezes a mesma serie inicial, conforme o numero de gatos em questão. Quando começam escrevendo diretamente um nome no plural, uma letra basta para representar um objeto. No entanto, quando começam escrevendo um nome no singular e, em seguida, escrevem seu plural, uma letra não basta para representar um objeto. É o principio da quantidade mínima que esta sendo aplicado em ambos os casos.
A autora argumenta acerca da hipótese silábica, Quando a escrita representa uma relação de correspondência termo a termo entre a grafia e as partes do falado, a criança se encontra na hipótese silábica. O aluno começa a atribuir a cada parte do falado (a sílaba oral) uma grafia, ou seja, uma letra escrita. Quando a hipótese silábica esta em seu apogeu, as crianças necessitam de letras diferentes para diferentes escritas, tanto quanto necessitam de letras diferentes para uma única escrita. É apresentado o principio da variação interna cujas características são as seguintes evita a repetição da mesma letra ou do mesmo grafema mais de duas vezes, as crianças começam a perceber neste desenvolvimento que não se pode ler coisas diferentes com series idênticas de elementos gráficos.
A hipótese silábico-alfabética corresponde a um período de transição no qual a criança trabalha simultaneamente com duas hipóteses: a silábica e a alfabética. Ora ela escreve atribuindo a cada sílaba uma letra, ora representando as unidades sonoras menores, os fonemas. Quando a escrita representa cada fonema com uma letra, a criança se encontra na hipótese alfabética. Nesse momento, os alunos ainda apresentam erros ortográficos, mas já conseguem entender a lógica do funcionamento do sistema de escrita alfabético,
Você fez uma boa reflexão. Senti falta de relações com o cotidiano.
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