
TEBEROSKY,Ana. COLOMER, Teresa. A construção do conhecimento sobre a escrita IN:Aprender a ler e a escever: Uma proposta construtivista. Porto Alegre: Artmed, 2003.
Neste texto as autoras discorrem a respeito da construção do conhecimento sobre a escrita, explicando o processo de aprendizagem da leitura e da escrita sob o ponto de vista da criança, fazem distinção entre a escrita como sistema de representação e a escrita como código. bem como reflexões sobre as consequências pedagógicas derivadas do processo de construção de conhecimentos conceituais e procedimentais.
A autora argumenta que perspectiva construtivista tem-se dedicado a pôr em evidencia as hipóteses das crianças durante o processo de construção de conhecimentos, como e o que as crianças aprendem a ler e a escrever. Neste sentido pode-se afirma que a essas hipóteses se desenvolvem quando a criança interage com o material escrito e com leitores e escritores, os quais dão informação e interpretam esse material escrito. a autora afirma que as crianças constroem hipóteses, resolvem problemas e elaboram conceituações sobre o escrito, o desenvolvimento de hipóteses ocorre por reconstruções (em outro nível) de conhecimentos anteriores; dando lugar a novas construções.
As hipóteses que as crianças desenvolvem são consideradas respostas a verdadeiros problemas conceituais, análogos aos que os seres humanos se colocaram ao longo da história da escrita, e não apenas problemas infantis, no sentido de erros conceituais dignos de serem corrigidos para dar lugar à aprendizagem normativa.
A autora destaca dois princípios organizadores básicos que orientam a possibilidade de interpretar um texto ou de fazer uma leitura, a saber, o principio de quantidade mínima de caracteres e o principio de variedade interna de caracteres, os quais permitem à criança uma progressiva diferenciação do material impresso, em termos de " nada mais do que letras" ou " todas iguais" e " algo que serve para ler"
A partir dos quatro anos de idade as crianças já dão alguma resposta verbal quando perguntadas " aqui diz alguma coisa? " pois as crianças nesta faixa etária possuem um entendimento das condições gráficas para realizar o ato de leitura, as crianças que respondem a esta questão imaginam o texto em termos de seu potencial de intencionalidade comunicativa, que faz parte da alfabetização inicial." Quando as crianças acreditam que um texto" diz alguma coisa" é porque atribuem intencionalidade comunicativa ao texto escrito: um objeto inanimado passa a ter um significado linguístico. é o início da concepção da função simbólica da escrita."(p.48)
Conforme as hipóteses infantis iniciais, a escrita representa os nomes dos objetos e das pessoas. Trata-se de uma escrita de nomes a hipótese do nome se mostra claramente na diferenciação que as crianças fazem entre duas perguntas " o que é?" e " o que diz?" evidenciada no exemplo no texto em que as crianças questionadas com as respectivas perguntas em relação a figura e a palavra cavalo respondem a primeira pergunta: " o que é?" " um cavalo" e a segunda pergunta " o que diz?" "cavalo"
Outra hipótese apresentada pelas criança consiste em distinguir, em um escrito, entre " o que está escrito" e " o que se pode ler", trata-se de resolver uma situação problema. o que esta escrito tem haver com o que as crianças acreditam que que pode ser representado pelo escrito e o que se pode ler tem haver com interpretação elaborada a partir do que está escrito. a autora afirma que quando as crianças interpretam o texto, depois de terem localizado um ou dois nomes substantivos, elas conseguem " ler" toda a oração.
A autora afirma que a o escrever a criança tenta encontrar as unidades sonoras que correspondem às letras e, para isso, faz uso de seus conhecimentos sobre os enunciados orais. descobrindo desta forma as sílabas repetindo lentamente e varias vezes para si mesma.
" Por meio do procedimento de segmentação da palavra em silabas, as crianças começam a trabalhar cognitivamente com a representação dos sons e chegam a compreender que as letras remetem ás partes da palavra , isto é, ás silabas." (p.55)
A maioria das crianças descobre o valor sonoro das vogais de forma mais rápida do que do que o valor sonoro das consoantes, pois, quando as crianças analisam as sílabas. descobrem a vogal, que é o elemento com maior sonoridade, o núcleo da silaba.
As crianças aos cinco anos podem distinguir entre narrativas e outros tipos de textos, sobretudo, reescrevem textos conhecidos, já que são capazes de diferenciar entre poema, uma carta, uma noticia, ou uma receita de bolo.
A autora argumenta que aprender a separar o texto em palavras gráficas é um conhecimento procedimental, isto é, trata-se de saber como usar um procedimento que vai sendo adquirido na prática
Recentemente linguistas e historiadores argumentam que mais do que um código, a escrita é um sistema de representação da linguagem com uma longa história social, e como sistema de representação,o aprendizado da escrita consiste na apropriação de um objeto de conhecimento, de natureza simbólica, que representa a linguagem. Além disso neste processo de apropriação, tanto a representação simbólica como a linguagem são afetadas pela escrita.
Segundo a autora a leitura e a escrita não são apenas matérias escolares, elas existem fora das sala de aula, e a criança não são aprendizes passivos, não copiam os modelos adultos que estão ao seu redor, nem esperam ir a escola para começar o processo de aprendizagem da leitura.Somente a perspectiva construtivista oferece uma descrição integrada do processo sob o ponto de vista da criança desde uma análise de linguagem e da natureza escrita, bem como desde consideração das práticas culturais nas quais ocorre alfabetização.
Torna-se necessário para entender a aprendizagem de uma forma não reducionista, ter que mudar, a visão sobre a alfabetização e sobre o processo de leitura e escrita.
Leon, você fez uma excelente reflexão do texto. Evidencia que fez uma leitura atenta. Espero que tenha apreendido os principais conceitos apresentados...
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