sábado, 25 de Julho de 2009

Exercício Reflexivo : Oralidade e Escrita





Na aula do dia 07/05/09, No primeiro momento o Professor tirou as duvidas dos discentes com relação as possibilidades da utilização do Blog como um portfólio eletronico, questões fundamentais para fazer o bom uso desta ferramenta tecnológica que só vem a oportunizar ainda mais que estudantes criticos e criativos produzam bons trabalhos, os quais possam ir ao encontro das exigências dos propositos e descritores da disciplina Tendências Atuais do Ensino de Lingua Portuguesa, logo em seguida, começamos a trabalhar com o texto Oralidade e Escrita; Perspectivas para o Ensino de língua Materna. De Leonor Lopes Fávero, Maria Lúcia C.O. Andrade e Zilda G. O. Aquino.
Neste dia fizemos a leitura do texto em sala de aula, discutindo em grupo e elaboramos a apresentação do texto por meio de slides, posteriormente na aula do dia 14/02/09, o Professor Ivanildo pediu que nos organizassemos em dupla e distribuiu a tarefa, a saber, um exercício reflexivo, a respeito do texto Oralidade e Escrita, deste modo, a aula ficou concentrada na discursão, compartilhamento de informações, e impressões do texto, bem como na resolução das questões propostas no exercício reflexivo. Na aula seguinte, isto é, no dia 21/05/09, tendo em vista a demora e/ou ausência do envio e recebimento dos trabalhos para serem analisados pelas duplas continuamos trabalhando com o texto Oralidade e Escrita, na parte inicial da aula, a fim de compartilharmos as nossas impressões e questionamentos a respeito do texto em grupo, no segundo momento, o Professor deu inicio a discursão do outro texto; Contextos de Alfabetização na Aula de Ana Teberosky e Núria Ribeira
na ultima semana o professor enviou por email o trabalho corrigido com algumas orientações para postarmos no blog o exercício reflexivo. Portanto,eis o texto:



FÁVERO, Leonor L. ANDRADE, Maria Lúcia C. V. AQUINO, Zilda G.O. Oralidade e Escrita: perspectivas para o ensino de língua materna. 6. Ed, São Paulo: Cortez, 2007.


MARCUSCHI, L.A. (ed.) . Análise da Conversação. São Paulo: Ática, 1986.


Na organização da sala de aula e da escrita, as autoras apresentam elementos que constituem o processo conversacional, que esta relacionada com a criação coletiva, isto é, para que ocorra a conversa faz-se necessário que haja uma interação entre pelo menos dois interlocutores, os quais se alternam em turnos, ou seja, cada um fala em seu tempo no momento apropriado, levando em consideração a questão dos papeis de cada um no dialogo, o modo, o meio e a situação ou o contexto em que a conversa ocorre. Pois a atividade conversacional é uma atividade social, além disso, a conversa envolve aspectos verbais e não verbais, ou melhor, marcadores paralingüísticos, tais como: a gesticulação, o riso, o olhar entre outros, Para que ocorra a atividade conversacional em sua plenitude é importante que todos os interlocutores estejam interados sobre o assunto abordado, ou seja tem que haver coerência, organização e, coesão.
Uma das possibilidades de linguagem que faz parte de nosso cotidiano é a conversação. É nela que se realizam as práticas sociais por meio das quais, pessoas se relacionam como seres sociais. Para interagir é preciso que os participantes possam inferir sobre o que está sendo tratado e o que é esperado de cada um. Por ser produzido interacionalmente, o texto conversacional é uma criação coletiva, Para que haja conversação é necessário que duas ou mais pessoas tenham a intenção de
estar em contato.
A conversação segundo Marcuschi (1986), é a prática social mais comum, que desenvolve
espaço para a construção das identidades sociais em um contexto real e, que exige grande coordenação de ações que ultrapassam a habilidade lingüística.
Há na conversação um processo complexo organizacional, que se explica através dos
diversos fatores que interagem entre si e contribuem para que a conversação se realize. Toda conversação tem caráter dialógico. Esse caráter pode classificar-se, segundo Marcuschi (1986), como simétrico ( Quando o interlocutor tem o mesmo direito de tomar a palavra, escolher o tópico, direciona-lo e estabelecer o tempo) ou assimétrico ( Quando o interlocutor é privilegiado quanto ao uso da palavra, cabendo a ele começar o diálogo, conduzir e mudar o tópico).
Muitas vezes o texto falado tem característica de imprevisível, porém por outro lado pode-se prever o que o interlocutor tem a dizer, ocorrendo, quase sempre, sobreposição de vozes. O caráter de imprevisibilidade da estrutura do texto conversacional deixa entrever todo o processo organizacional, possibilitando a percepção da estrutura e das estratégias organizacionais. Assim, detectam-se cortes, interrupções, retomadas e sobreposições.
Para estruturação de uma conversa, Ventola destaca algumas variáveis que compõem o modelo de organização conversacional, a saber, Tópico/Assunto: trata-se do assunto, do tema que é o foco da conversa, é sobre o que se fala, além disso propicia o contato entre os participantes de uma conversa. Imaginemos por exemplo dois amigos conversando sobre um determinado assunto.
A situação trata-se do contexto da conversa pode ser formal ou informal esta relacionada tanto a aspectos verbais quanto não-verbais. Papéis dos Participantes: Os participantes desempenham vários papéis, dependendo da situação em que se encontram. na escola podemos ser professores, já em uma consulta no hospital assumimos outro papel de paciente, no mercado de cliente, etc.
Modo: É determinado pelo objetivo da interação. Ele pode ser mais formal ou nada formal, como numa conversa entre dois adolescentes via internet, por exemplo.
Meio: É o canal de comunicação entre os participantes. Pode ser face a face, via telefone etc.

As características básicas do texto falado apresentadas por Dittmann são:
A) interação entre pelo menos dois falantes, isto é, faz-se necessário que ocorra a interação entre dois ou mais interlocutores, pois caso contrário seria um monólogo, e a proposta de Dittmann é baseada na interação.
B) ocorrência de pelo menos uma troca de falantes, ou seja, na atividade conversacional, ou melhor, no texto falado é fundamental a questão dos turnos onde cada interlocutor tem um momento para falar e, portanto gerar o dialogo. C) presença de uma seqüência de ações coordenadas, isto é, necessidade de se haver o emprego de continuidade por meio dos conectores ou marcadores conversacionais, e alternância de turnos no sentido de possibilitar na conversa uma sistematização, organização, coerência e coesão. D) Execução num determinado tempo diz respeito à questão dos turnos que evolve a necessidade que cada um interlocutor fale a seu momento, um de cada vez, podendo ser de forma continua ou não. Respeitando a fala do outro e ouvindo também pode haver hesitação, sobreposição, assalto e pausa, essas pausas podem inclusive provocar a mudança de turno.
E) Envolvimento numa interação centrada, isto é, no texto falado faz-se necessário um intercambio de idéias entre os interlocutores focalizados e interados no assunto proposto no Tópico discursivo, para o qual é fundamental a colaboração e participação dos sujeitos sociais.
As autoras destacam que a fala se estrutura em dois niveis, a saber, O nível global que consiste em fomentar subsídios a formulação textual no que diz respeito à condução do tópico discursivo a formulação do texto obedece a algumas normas específicas da organização global.
Para ocorrer essa estrutura, há a necessidade de um conhecimento prévio e partilhado entre os participantes, pois no decorre da conversa poderá haver uma digressão (desvio do tópico discursivo) de uma determinada fala, por exemplo:


L1 hoje é meu aniversário

L2 Parabéns Fernanda

L1 Vai ter muita coisa para comer... Bolo, doce, salgadinho.... Muitas pessoas vão participar... Da minha rua, da escola, :: o Ricardo da minha sala a... Estela amiga da minha irmã .... o Gustavo, a marcela, a minha professora, a Cristina ....

L2 ah você fez o dever de casa que a professora passou

L1 sim

L2 mais voltando ao que estava falando...

L1 ah sim

L2 a festa vai ser muito legal


Bem, o nível local consiste na conversação, na qual é evidenciada a alternância de turnos, podendo ser uma conversação espontânea. Exemplo:

L1 Oi Camila hoje esta :: muito calor....

L2 puxa é mesmo Carol

L1 Eu acho... que :: vou à praia com meus pais, quer ir com agente?

L2 sim, com certeza

O texto falado bem como o texto escrito, para constituir a textualidade, necessita de alguns fatores: a coesão e a coerência. Segundo as autoras, no texto conversacional, a análise dos elementos de coesão deve ser feita de forma especifica. Os recursos coesivos mais freqüentes são a coesão referencial, recorrencial ou seqüencial, que são caracterizadas da seguinte maneira:

A coesão referencial tem haver com a repetição da palavra ou termo na conversação de modo que possibilite nexo no tópico discursivo. No entanto podem-se usar outras formas para se oportunizar a coesão textual, utilizando os conectivos, os quais substituem a palavra, mas dá continuidade a Idéia do tópico discursivo, do assunto que esta sendo abordado na atividade conversacional.

Exemplo:

L1 Maria é minha irmã, ela casou com o Antônio, que trabalha na indústria, Maria só trabalha em casa, mas Antônio gosta do trabalho industrial, a indústria é tudo para ele.

A coesão recorrencial é destacada pela substituição de uma palavra ou termo por outro que tenha o mesmo sentido. Exemplo:

L1 A doutora disse para eu comer menos daqui para frente.

L2 vai fazer dieta né?

L1 É estou precisando.


A coesão seqüencial é caracterizada pela utilização de conectores, os quais são responsáveis por proporcionar a continuidade do assunto desenvolvido a partir do tópico discursivo.

Exemplo:

L1Hoje eu vou trabalhar e... Depois eu...

L2 E quando você chegar do trabalho vai para a faculdade?

L1 sim é isso mesmo

L2 ahn

L1 apesar de estar com fome e...

L2 e... Com cansaço do trabalho

L1 ahan

L2 Humm

O texto aponta que há quatro elementos básicos que contribuem para a estruturação do texto falado. Estes elementos são o turno. O tópico discursivo, os marcadores conversacionais e o par adjacente, que são caracterizados da seguinte forma:

O turno se caracteriza pela situação, formal ou informal, em que um interlocutor representante de um determinado papel, papel este vinculado a um contexto, se utiliza da palavra fazendo uso da mesma podendo articular a palavra a aspectos não-verbais, paralingüísticos, e recursos prosódicos, bem como, a utilização do meio a fim de que possa haver a transmissão do que se pretendem abordar no tópico discursivo, abrindo deste modo espaço para a interação com outro interlocutor, o qual faz uso dos marcadores também para dar coesão, organização, coerência e interação à atividade conversacional, para a qual faz-se necessário a alternância de turnos.


Exemplo:


L1 Olá turma!!!

L2 Olá Professora !!!

L1 na próxima semana vou passar uma prova

L2 ahn... Como assim professora?

L1 bem é a primeira avaliação do bimestre

L2 O que vai cair na prova professora?

L1tudo que eu passei até hoje entende?

L2 Sim, então vou estudar mais um pouco


O tópico discursivo caracteriza-se pelo assunto que esta sendo abordado na atividade conversacional, sendo que o tópico discursivo vai depender de um contexto situacional e de uma interação dos interlocutores de modo que os mesmos tenham conhecimento e focalização no que cada um fala, isto é, é fundamental que os interlocutores tenham domínio do assunto a fim de que a conversa faça sentido e que, portanto tenha coerência. Para tanto é necessário que os indivíduos utilizem além do tópico discursivo, os outros elementos básicos que estruturam o texto falado. Ou seja, os marcadores conversacionais, os turnos, e, sobretudo, o par adjacente. São de suma importância também a centração, organicidade e delimitação local no tópico discursivo.


Exemplo:


L1 Então já podemos ir?

L2 Eu já venho

L1 o que aconteceu? Esta sentindo falta de alguma coisa?

L2 não, você esta com pressa por acaso?

L1 não... Só perguntei por perguntar...

L2 ahn ta bom

Os marcadores conversacionais podem ser verbais, prosódicos e não- lingüísticos, eles servem para operar a conexão entre as idéias, palavras, abordadas na conversa possibilitando assim a manutenção, o dinamismo e a coesão, sobretudo, a coerência no texto falado. Dentre os marcadores verbais destaca-se os marcadores simples, os quais possuem uma só palavra, os marcadores compostos que são formados por duas palavras, o marcador oracional o qual é expresso por meio de pequenas orações, e o marcador prosódico que sempre se articula a um marcador verbal.


Exemplo:


L1 Marlene como vai?

L2 estou bem e você?

L1 tudo ótimo

L2 e aquele concurso do governo você já se inscreveu?

L1 eu acho que não vou fazer esta prova

L2 por quê?

L1 ah acho que não tem nada a ver com a minha área

Quer dizer... Remunera mal também entende?

L2 sim, então você não quer trabalhar no setor publico?

L1 Digamos assim vou optar por um concurso na minha área e que remunere bem

L2 Ah ta, boa sorte!

L1 Obrigado

No Par adjacente observa-se uma intima ligação com o Tópico discursivo, pois a conversação que é organizada por meio de tópicos pode ser estabelecida com os pares adjacentes, os quais são elementos fundamentas na atividade conversacional na medida em que estabelecem a interação entre os interlocutores, algumas de suas funcionalidades são as seguintes; pergunta-resposta, convite- aceitação ou recusa, saudação-saudação, pedido- concordância.


Exemplo:


L1 Oi Fernanda, bom dia!!!

L2 Olá Leandro bom dia!

L1 gostaria de sair hoje a noite para o restaurante?

L2 claro Leandro

L1 pode ser às 19h?

L2 ahn não, que tal às 19h30min

L1 ok, te vejo às 19h30min então

L2 tudo bem

L1 Até mais tarde

L2 Até mais Leandro

1 comentário:

  1. Leon, o texto ficou bacana, bem articulado... Mas, por se tratar de um blog, os textos precisam ser mais curtos. Você poderia fazer várias postagens, dividindo em tópicos para facilitar a leitura por parte dos leitores...

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